Por Renata Soares Piazzon e Roberta Danelon Leonhardt
O litoral paulista tem sido objeto de projetos de empresas
privadas e estatais no Brasil, dentre eles, a exploração de petróleo na
camada pré-sal. Diante de tal fato, o Estado de São Paulo, por meio da
Comissão Especial de Petróleo e Gás Natural (Cespeg), iniciou um estudo
do litoral, com o objetivo de avaliar os impactos ambientais, sociais e
econômicos a serem causados pela exploração e implantação de novos
projetos, visando mapear as áreas que podem receber novos investimentos.
Tal estudo, além de garantir um planejamento organizado da
ocupação do litoral, trará celeridade ao processo de obtenção das
licenças ambientais para os novos empreendimentos a serem desenvolvidos
no local, uma vez que a área já terá sido objeto de análise prévia.
No Brasil, o processo para obtenção de uma licença ambiental
compreende um sistema trifásico, no qual cada licença é condicionada à
emissão de sua precedente, sendo elas: a licença prévia, de instalação,
e de operação. A obtenção de tais licenças exige o acompanhamento do
projeto de implantação da atividade efetiva ou potencialmente
poluidora, desde a sua apresentação ao órgão ambiental competente até a
sua aprovação.
Diante deste cenário, que se mostra ineficiente, o principal
desafio está em buscar meios para agilizar a aprovação de novos
projetos, uma vez que a apresentação de documentos técnicos elaborados
com excelência, o agendamento de reuniões para adequação dos projetos
às exigências impostas pelo órgão ambiental e a participação efetiva em
inspeções e avaliações técnicas não se mostram suficientes.
Dessa forma, o estudo do litoral paulista feito pela Cespeg
possibilitará que o órgão ambiental estadual competente, neste caso, a
Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), avalie diretamente
a possibilidade de implantação de projeto específico apresentado pelo
empreendedor, não sendo necessário novo estudo da viabilidade de
exploração de determinada área, uma vez que esse já terá sido objeto do
amplo estudo realizado e chancelado pelo Poder Público.
De tal modo, a avaliação pela Cespeg dos impactos gerados pelas
atividades associadas à exploração de petróleo no litoral paulista
agilizará a obtenção das devidas licenças necessárias para a exploração
do pré-sal.
Ainda, a realização de estudo prévio pela Cespeg trará grandes
benefícios se puder ser comparada à Avaliação Ambiental Estratégica,
instrumento que busca avaliar os impactos diretos e indiretos da
implantação de projetos estruturantes, propondo medidas mitigadoras,
preventivas e compensatórias, visando facilitar a avaliação individual
dos projetos a serem implantados.
Nesse sentido, a avaliação do litoral paulista será eficaz se
analisar, planejar e selecionar previamente, por meio de inventário e
mapeamento ecológico, quais áreas seriam as mais adequadas técnica e
ambientalmente para implantação de novos empreendimentos.
A pressão para a elaboração do diagnóstico da região aumenta pela
existência de projetos de lei sob aprovação do Congresso Nacional
regulando a exploração do petróleo na camada pré-sal. Isso porque, uma
vez aprovado o direito de exploração do pré-sal, a Petrobrás, que luta
pela exploração de até 5 bilhões de barris de petróleo na Bacia de
Santos, poderá implantar o seu plano de investimento na área.
Outro ponto que deve ser lembrado é a falta de segurança jurídica
do empreendedor ao ter uma licença ambiental emitida pelo órgão
competente. Quando o empreendedor tem a sua licença ambiental aprovada,
se pressupõe que essa esteja em conformidade com as normas legais e que
seu conteúdo seja verdadeiro. Dessa forma, o particular, ao receber o
aval da Administração Pública com a aprovação de uma licença ou
autorização, deve ter segurança para agir ou deixar de agir de
determinada maneira, sem correr o risco de vir a sofrer conseqüências
decorrentes de uma atuação supostamente falha do Poder Público.
Assim, a elaboração de estudo do litoral paulista, além de tornar
o processo de licenciamento ambiental mais célere, trará ainda mais
legitimidade para a emissão de licenças ambientais, uma vez que essa
estará fundada em análise prévia feita pela Cespeg e, ainda, em
avaliação posterior feita pela Cetesb da viabilidade do novo
empreendimento.
Diante da atual morosidade do licenciamento ambiental brasileiro,
resta clara a importância do diagnóstico ambiental do litoral paulista
e a necessidade de utilização de estudos ambientais prévios que
considerem impactos cumulativos, a fim de facilitar a avaliação
individual de novos projetos e garantir a celeridade no processo de
obtenção das competentes licenças e autorizações.
Roberta Danelon Leonhardt é sócia e advogada de Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados.
Renata Soares Piazzon é advogada do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados.
(Revista Consultor Jurídico 01.03.2010)
(Notícia na íntegra)