Como um escritório de assessoria jurídica com forte atuação na área de negócios, conseguimos perceber com bastante sensibilidade os momentos de mudança de ânimo dos investidores em relação à economia do país. O mais recente, sem dúvida, teve início no segundo semestre de 2019 e vem se intensificando no começo deste ano, impulsionado por um ambiente de mais otimismo e confiança no Brasil.

Uma agenda positiva de tendência mais liberal, envolvendo desburocratização e disciplina fiscal, deu novo foco ao mercado e repercutiu de forma bastante nítida nos projetos de diversas naturezas que estamos sendo convidados a apoiar.

Mesmo diante de ameaças como a epidemia de coronavírus na China, cujos possíveis impactos para o Brasil ainda não estão muito claros, há uma percepção geral de retomada do crescimento, beneficiada por uma agenda antes reprimida de projetos nas áreas de aeroportos, portos, rodovias, saneamento básico, energia, petróleo e gás, entre outras.

Outro fator que contribui para melhorar o ambiente de negócios é o controle da inflação e a trajetória persistente de queda dos juros básicos da economia, atualmente em seu nível mínimo histórico. O segmento imobiliário, por exemplo, já registra sinais de reaquecimento.

Esse novo ambiente econômico abre uma janela muito positiva para negócios no mercado de capitais, com a perspectiva de aumento das ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) de empresas brasileiras em busca de novas formas de financiar suas operações. Não temos dúvidas de que os bons projetos, em setores em expansão, conseguirão atrair o interesse dos investidores.

No exterior, onde os juros baixos, e até negativos, são uma realidade há mais tempo, há um enorme bolsão de liquidez aguardando projetos bons e seguros em países confiáveis e com instituições que funcionem adequadamente. O interesse de estrangeiros  – sejam eles investidores institucionais, fundos de private equity ou fundos soberanos ou de pensão – em projetos locais vem aumentando desde o ano passado.

Se o Brasil for capaz de avançar este ano em reformas estruturais que impulsionem nossa produtividade e reduzam as incertezas do mercado em relação à economia no médio e no longo prazo, parte desses recursos que hoje estão disponíveis no exterior certamente tomarão o rumo do país em fluxo cada vez maior e mais acelerado, aumentando nossas chances de crescimento sustentado.

Exemplos nesse sentido são a reforma administrativa, uma tentativa de reestruturar o serviço público federal para conter o aumento das despesas obrigatórias do governo, e a reforma tributária, destinada a simplificar e desburocratizar o pagamento de impostos no país. Ambas estão previstas para serem debatidas pelo Congresso Nacional em 2020.

Outro assunto que estará no dia a dia das empresas é o esforço de adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que entra em vigor em agosto. Esse trabalho começou no ano passado e deve se intensificar a partir de agora, com as empresas terminando de mapear os dados que armazenam e as formas de acesso autorizadas a eles para implementar os novos procedimentos exigidos pela legislação a partir de 15 de agosto.

A LGPD é apenas um exemplo de como a tecnologia deve afetar as decisões das empresas nos próximos anos em todos os setores. No segmento jurídico, a tendência não é diferente. Os avanços tecnológicos podem gerar transformação relevante nos serviços que prestamos, com melhoria geral na qualidade e na eficiência das operações para os clientes.

À tradicional preocupação com a qualificação técnica dos nossos advogados, somou-se nos últimos anos um olhar atento à inovação tecnológica, com investimentos em pesquisa e desenvolvimento de projetos de automação e inteligência artificial. Nossa equipe de tecnologia aplicada ao direito, por exemplo, alcançou grandes avanços em 2019 e esperamos implementar alguns projetos já em 2020.

Aos poucos, esses investimentos vão se traduzindo em melhor experiência para os clientes não só em termos de custos e tempo de resposta, mas sobretudo também em mais precisão nas nossas análises, para continuar oferecendo ao mercado inteligência jurídica capaz de impulsionar bons negócios, um quesito essencial em um ano que promete ser muito positivo para a economia brasileira.

Veja abaixo os outros artigos da série:

2020: Boas expectativas para o mercado imobiliário