Por Sílvia Pimentel


Sócios de grandes bancas de advocacia iniciam o ano otimistas, com investimentos em setores considerados relevantes e contratações. Estão no foco dos escritórios áreas como de fusões e aquisições (M&A), trabalhista motivada pela reforma e ainda o segmento penal. Com a ressalva de que 2018 é um ano eleitoral, os CEOs ainda projetam um cenário mais tranquilo ao ambiente de negócios, em relação a 2017, com a retomada de investimentos estrangeiros.


O Pinheiro Neto, por exemplo, reforçou as áreas de M&A, trabalhista e tecnologia com a entrada de seis sócios, cinco consultores e contratação de 30 advogados. Para o CEO Alexandre Bertoldi, se o governo conseguir aprovar as reformas previdenciária e tributária, os investimentos devem sair do papel a partir do segundo semestre - a depender dos desdobramentos das eleições.


Já no Mattos Filho foram contratados 49 estagiários e nove trainees para diversas áreas. Dentre as apostas da banca destacam-se os segmentos de compliance e ética corporativa, direito concorrencial, arbitragem e, especialmente, direito penal empresarial. Esta última é uma das mais novas áreas da banca, com possibilidades de crescimento, segundo o sócio-diretor José Carneiro Queiroz. "É uma tendência dos escritórios investirem nessa área, antes dominada pelos chamados escritórios de boutique, pois legislação penal está cada vez mais ligada à atividade econômica", afirma.


No Duarte Garcia Advogados a aposta não é diferente e o direito penal é a mais nova área da banca. "Está diretamente ligado ao direito público, à regulação econômica de atividades objetos de concessão, ao direito tributário e ambiental", afirma o sócio da banca Luis Eduardo Serra Netto. O setor conta com um advogado exclusivo, apoiado por 15 profissionais que também atuam com direito ambiental, tributário e público.


Serra Netto também vislumbra um cenário promissor para a área de direito público este ano, com a entrada de novos investidores interessados na concessão de serviços públicos no país. Isso deve ocorrer por conta do desinvestimento das empresas envolvidas na Operação Lava-Jato. "O Brasil tem uma quantidade grande de serviços públicos apontando para o aumento da participação privada, como transporte de passageiros sobre trilhos, energia elétrica e iluminação pública", afirma.


O setor de infraestrutura está entre os que deverão receber mais investimentos este ano, com a perspectiva de mais leilões de geração e transmissão de energia, além de projetos relativos a rodovias, portos e aeroportos, segundo o sócio administrador do Machado Meyer, Tito Amaral de Andrade. "No mercado de energia, ainda temos notado um grande apetite de clientes asiáticos", afirma.


No ano passado, o Machado Meyer representou, por exemplo, a indiana Sterlite em dois leilões de transmissão de energia realizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "Quando tivermos uma maior clareza sobre as candidaturas [à presidência da República], haverá uma maior visibilidade sobre o ritmo de negócios em 2018, especialmente a partir do segundo semestre", diz Andrade.


Otimista, o sócio do TozziniFreire Advogados Fernando Serec afirma que a banca deve ampliar em 10% o número de funcionários, que hoje somam mais de 1,1 mil pessoas, incluindo sócios, advogados, estagiários e a parte administrativa. As áreas trabalhista e tributária são algumas das que devem receber reforços. "Com a retomada da economia, as empresas têm estudado mudanças na forma de contratação e abertura de vagas", diz.


Ainda em relação às perspectivas para 2018, o CEO do Pinheiro Neto, Alexandre Bertoldi também acredita que os investimentos devem ser relevantes na área de infraestrutura, que tem uma carência represada, assim como um aumento das operações do mercado de capitais, considerando-se o que o escritório acompanhou em 2017. No ano passado, o Pinheiro Neto participou da abertura de capital do Carrefour.


Serec também entende que as transações de compra e venda de companhias devem crescer. "Os sinais para 2018 são bem animadores e já temos indicação de operações em todos os setores", afirma. Em 2017, de acordo com o advogado, o volume de operações já surpreendeu o mercado.


A mesma opinião tem o sócio do Demarest, Paulo Coelho da Rocha. "Há muito investidor estrangeiro que continua de olho no Brasil, mas não tinha tomado a decisão de investir", afirma. Sem turbulências políticas e diante de um cenário com inflação controlada e câmbio estabilizado, Rocha acredita que haverá aumento no fluxo de investimentos do exterior para o país.


Recentemente, por exemplo, o Demarest assessorou o processo de aquisição da holding brasileira Solo ATS Participações do Brasil, que detém a empresa de alimentos Mãe Terra, pela Unilever.


De acordo com o CEO do Siqueira Castro, Carlos Fernando Siqueira Castro, o país tem despertado a atenção de grandes grupos coreanos, interessados na área portuária e na compra de estaleiros que deixaram de operar por conta da Lava-Jato. "Acompanhamos duas operações que, somadas, ultrapassam US$ 4 bilhões", afirma.


Valor Econômico
http://www.valor.com.br/legislacao/5251563/escritorios-apostam-em-fusoes-aquisicoes-e-area-penal-em-2018


(Notícia na íntegra)