Bonificação sobre lucro líquido paga por empresas garante ganho real, mas o investidor deve ficar vigilante. Não é comum a distribuição ocorrer em um ano e ser suspensa nos seguintes Publicação: 16/08/2010 07:47 Ganhar dinheiro, às vezes, não é difícil, mas requer atenta pesquisa sobre os meios mais indicados. Em épocas de crise, quando o valor das ações tende a sofrer grandes oscilações nas bolsas de valores, muito se fala sobre os dividendos. Além da valorização das ações, as empresas pagam, periodicamente, bonificações aos acionistas, e a principal são os dividendos: parte do lucro, após o desconto do Imposto de Renda. Porém as explicações sobre o assunto não alertam para o fato de que não é confiável uma empresa distribuir valores elevados em um ano e, nos seguintes, deixar de dar o aguardado retorno financeiro. Para ser atraente, a companhia precisa ser bem administrada, ter uma política definida e equilibrada.Parece óbvio, então, que as gigantes de cada setor são as que mais darão retorno. Mas isso não é verdade. Segundo os especialistas, elas oferecem ganhos quando o preço das ações sobem e elevam seu valor de mercado (quantidade de ações multiplicada pelo seu preço naquele instante). Contudo, as grandes companhias precisam, muitas vezes, reinvestir o lucro em expansão ou em maquinário.Mais importante que a bonificação pela ação é o seu rendimento do dividendo — do inglês Dividend Yield (DY) —, índice que mede a rentabilidade do retorno dos papéis de uma empresa em relação ao seu preço. É um complicado cálculo que vai apontar qual é exatamente o lucro pelo capital investido em cada uma das ações. “É o retorno sobre o investimento. Se uma ação de determinada empresa vale R$ 150 e o acionista recebeu R$ 15 de dividendo por ação, teve um excelente lucro real de 10% sem fazer esforço”, explica o economista Clodoir Vieira, da Corretora Souza Barros.BalançoO usual é que a empresa distribua aos acionistas 25%, ou mais, do lucro líquido ajustado, em média o que sobra depois da provisão para o Imposto de Renda e da constituição de reserva legal. De acordo com a advogada Eliana Chimenti, sócia do Escritório Machado Meyer, é fundamental observar o balanço e o estatuto da companhia para não ter dúvidas. “Algumas regras da Lei das Sociedades Anônimas mudaram. Há empresas cujo estatuto permite dividendos de pelo menos 3%. Só as que têm ações listadas em bolsas de valores são obrigadas a cumprir os 25%”, explica.O economista-chefe da Corretora Prosper, Eduardo Velho, acredita que é a hora de olhar com atenção os bons pagadores de dividendos. “Com o lançamento de ações do Banco do Brasil e a capitalização da Petrobras, os fundos estrangeiros estão apostando alto. Vão entrar dólares no país e em algum momento esse excesso vai refletir no câmbio. Quando as ações estiverem em baixa, as empresas que derem mais bonificações vão disputar a preferência do investidor”, calcula. As mais rentáveisAs ações com mais possibilidade de retorno são aquelas dos setores que mais se beneficiaram com o ciclo de crescimento no país, como a construção civil e o de bancos. Eles apresentarem bons resultados no segundo trimestre, com previsão de continuidade do crescimento em razão das expectativas de aumento do crédito e das vendas no varejo com a chegada da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O analista de investimentos Eduardo Collor diz que, historicamente, as campeãs são as concessionárias de serviços públicos, como as empresas de saneamento básico, rodovias e energia elétrica.“Elas têm grande movimento de caixa e margens consideráveis de lucro”, destaca. Para o analista de mercado, os bancos têm outra estratégia: não distribuem altos lucros, mas, alguns, quando aumentam o capital, abrem o direito de subscrição (permissão para compra) de novas ações a preços abaixo do valor negociado em bolsa. Segundo o economista chefe da Corretora Ágora, Álvaro Bandeira, na média destacam-se os setores de energia e telecomunicações, nos quais geralmente se encontram as empresas mais maduras, sem necessidade de grandes investimentos.Mas ele cita companhias de outros segmentos que também merecem atenção, como as do ramo de cigarros. E alerta: “as blue chips (empresas com mais peso no Ibovespa, índice mais negociado na Bolsa de Valores de São Paulo) não estão nessa lista”. (VB)(Correio Braziliense 16.08.2010)(Notícia na Íntegra)