A última sexta-feira de 2020 antes dos feriados de fim de ano será marcada por uma sequência de leilões de infraestrutura. Ao todo, amanhã, serão licitados: uma rodovia estadual no Rio Grande do Sul, dois terminais portuários na Bahia, um em Maceió e outro no Paraná. Todas as sessões públicas serão realizadas na sede da B3, em São Paulo.


A primeira disputa, pela manhã, será a da rodovia RSC-287, com 205,5 quilômetros de extensão. A concessão prevê a duplicação da via e cerca de R$ 2,7 bilhões de investimentos ao longo dos 30 anos de contrato.


Quatro grupos participarão da concorrência: a CCR, a Conasa Infraestrutura, a espanhola Sacyr e o consórcio Integrasul (formado por Silva & Bertoli Empreendimentos e Gregor Participações). A Ecorodovias chegou a anunciar que estudaria o projeto, mas acabou não entregando proposta na última segunda-feira, quando os envelopes com as ofertas foram depositadas na B3.


O vencedor da disputa será o grupo que oferecer a menor tarifa básica de pedágio, cujo teto foi fixado em R$ 7,37 no edital.


Para analistas, a avaliação é que a CCR é uma grande favorita, porque o grupo já opera, na mesma região, um conjunto de estradas federais - a chamada Rodovia de Integração Sul (RIS), arrematada pela empresa em novembro de 2018. Por ter sinergias com o bloco ofertado, a companhia teria condições de dar um lance competitivo. Procurado, o grupo disse, em nota, que "está atento a oportunidades de negócio considerando sempre as premissas de disciplina de capital, geração de valor para os acionistas e sustentabilidade do projeto".


Ainda assim, a expectativa é que a competição seja acirrada. "O Rio Grande do Sul vive um bom momento de estabilidade, segurança jurídica e um programa de concessões interessante. O leilão promete ter um bom nível de concorrência", afirma o advogado Rafael Vanzella, sócio do Machado Meyer.


Após a concorrência, na parte da tarde, também serão realizados na B3 os leilões de quatro terminais portuários.


Um deles será um projeto "greenfield" (que será construído do zero) no Porto de Paranaguá. Será ofertada uma área de 74 mil m2 para a movimentação de veículos - a capacidade é para cerca de 4 mil vagas. Estão previstos investimentos de R$ 22,2 milhões no contrato, de 25 anos.


Também serão ofertados dois terminais no Porto de Aratu, na Bahia. O primeiro deles, destinado à movimentação e armazenagem de granéis sólidos minerais, tem uma área de 152 mil m2 e demandará R$ 245 milhões de investimentos ao longo dos 25 anos de arrendamento.


O segundo será usado para movimentar granéis sólidos vegetais, em um terreno de 52 mil m2. Com um contrato mais curto, de 15 anos, os investimentos deverão somar R$ 120 milhões.


Por fim, será licitado um terminal no Porto de Maceió. Com área de 8 mil m2, o foco do empreendimento será a movimentação de granéis líquidos, especialmente ácido sulfúrico. A demanda por produtos químicos na região é impulsionada pelo Polo Cloroquímico de Alagoas, na cidade de Marechal Deodoro (AL). O investimento previsto no contrato de 25 anos é de R$ 12,7 milhões.


No caso dos quatro terminais portuários, o critério de escolha será o maior valor de outorga oferecido pelos interessados.


Jornalista: HIRATA, Taís

(Valor Econômico - 17.12.2020, p. B4)