Ativa Corretora retira ação Cemig PN da carteira recomendada devido aos efeitos de curto prazo da operação
 
Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Negócios
 
O mercado financeiro não viu com bons olhos a aquisição da Terna Participações pela Cemig. As ações da empresa mineira caíram 3,4% no pregão da Bolsa de Valores de São Paulo desta sexta-feira, 24 de abril. A Ativa Corretora decidiu tirar a Cemig PN da carteira recomendada devido aos efeitos da operação no curto prazo. Por outro lado, para os agentes do setor elétrico, a operação mostra a solidez do negócio de transmissão e a contínua movimentação de consolidação.
 
"O modelo do setor de transmissão alcançou um nível de maturidade significativo, o que atrai os investidores", comentou César de Barros, diretor-executivo da Associação Brasileira das Grandes Empresas de Transmissão de Energia Elétrica. Para o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudo do Setor Elétrico da UFRJ, a operação é natural de um processo de aquisição dentro do setor elétrico. "Estudos nossos mostram que o processo [de consolidação] seria intensificado na crise", diz.
 
Para a Ativa Corretora, a operação é negativa porque a aquisição teria sido feita por um preço "muito acima do que o mercado considera como justo" para o segmento de transmissão de energia no país. " Estimamos que a aquisição tenha sido realizada com prêmio próximo de 40% sobre o múltiplo EV/Ebitda [valor da empresa em relação a sua geração de caixa] justo", informou a corretora.
 
A visão da Ativa sobre os ganhos de produtividade da atuação conjunta é que as margens para ganhos de sinergias "são bastantes duvidosos". Na análise, a corretora ressalta que o crescimento em transmissão é "parte importante" da estratégia de consolidação e crescimento da Cemig. Os ativos da Terna, "ainda que caros", são de alta qualidade operacional.
 
Por outro lado, Nivalde de Castro >
 
Mesmo com essa aquisição, Barros não vê uma concentração do mercado de transmissão devido aos limites legais e a pulverização das empresas. "São 124 transmissoras, isso [a concentração] vai demorar", avaliou. O executivo lamentou a saída da Terna S.p.A do mercado brasileiro. Ele disse que a empresa era uma importante referência no mercado.
 
Castro afirmou que a empresa sai do mercado brasileiro para se concentrar na Itália, onde terá que fazer grandes investimentos na renovação do sistema. Além disso, ele lembrou que a subsidiária brasileira tinha feito uma aquisição relevante no ano passado, ETEO, pela qual estava tendo dificuldade de lidar com os empréstimos assumidos. "A empresa fez um empréstimo ponte com vencimento em maio e com a crise financeira ficou em uma posição complicada", contou.
 
A Terna recebeu um empréstimo de R$ 500 milhões da matriz italiana para pagar o financiamento ponte. "O valor comprometeu o rating da Terna na Itália, que decidiu pela venda no Brasil para resolver o problema", comentou Castro.
 
O CEO da Terna S.p.A, Flavio Cattaneo, >
 
O acordo foi assessorado pelo lado da Cemig pelo escritório de advocacia Machado, Meyer, Sendacz e Opice, que o >
 
(Agência Canal Energia - www.canalenergia.com.br 24.04.2009)
 
(Notícia na íntegra)