As obras do estádio custarão R$ 591 mi. O restante são juros e garantias para o operador da PPP
Fonte Nova: R$ 1,6 bi apenas para estádio e estacionamento (crédito: Divulgação/Setepla Tecnometal)
Rafael Massimino
Depois da escolha das 12 cidades-sede da Copa 2014, os estados e
municípios que receberão o evento começam a descobrir os custos reais
da competição. O estudo de viabilidade econômico-financeira da Fonte
Nova, em Salvador, mostra que os investimentos para a construção das
nove arenas públicas do Mundial, todas orçadas acima de R$ 400 milhões,
irão superar – e muito – os valores divulgados pelas capitais.
Incluindo demolições e a construção de estacionamentos, as obras
da Fonte Nova foram orçadas em R$ 591 milhões. No entanto, as
contrapartidas que serão pagas pelo estado da Bahia ao consórcio
OAS/Odebrecht, vencedor da licitação com proposta única, superam esse
valor em 272%, chegando a R$ 1,609 bilhão, segundo informações do
advogado Octávio Bulcão, da Machado, Meyer, Sendacz e Opice. O escritório assessorou o governo baiano na modelagem jurídica da estrutura de financiamento para as obras do estádio.
A conta vai além da compra de materiais de construção e
contratação de mão de obra. A maior parte inclui os juros das
prestações e uma taxa de desconto de risco para o financiamento.
Impostos e uma reserva para garantir condições operacionais e de
manutenção do estádio completam a soma.
PPP e garantias
A Bahia foi o primeiro estado a concluir o processo de licitação
da arena que servirá ao Mundial. O governo optou por uma Parceria
Público-Privada (PPP) administrativa, modelo em que o consórcio
constrói e opera o estádio – por 35 anos – enquanto o estado paga
contrapartidas financeiras mensais para garantir a rentabilidade do
negócio. No caso da Fonte Nova, as construtoras começam a receber
depois da inauguração do estádio, prevista para daqui a três anos. O
estado terá 15 anos para amortizar o financiamento.
“Depois de vários estudos, foi concluído que os investimentos na
arena seriam muito elevados. Os recursos com a venda de ingressos,
locações para shows e outros não seriam suficientes para remunerar o
capital. Por isso foi adotado esse modelo em que o estado oferece
contrapartidas”, explicou o advogado Octávio Bulcão.
Segundo Bulcão, as contrapartidas são vinculadas
à avaliação de desempenho do consórcio. Assim, se a exploração
comercial atingir níveis insatisfatórios, o valor pago pelo estado pode
diminuir.
Outro modo de reduzir os repasses é com o abatimento de tributos
financeiros e incidentes sobre materiais de construção, alternativa que
vem sendo estudada por todas as cidades-sede. A Câmara de Salvador, por
exemplo, já eliminou a cobrança de ISS para obras vinculadas à Copa.
Entorno
O consórcio OAS/Odebrecht também terá direito a explorar o entorno
do estádio, num modelo de concessão de direito real de uso. As piscinas
da Fonte Nova e o ginásio Balbinho serão demolidos e, nesta área, há
previsão de construção de casas de shows, shopping center ou torres
comerciais. Para isso, haverá um estudo para detectar a rentabilidade
dos investimentos.
Pelo modelo proposto, o estado da Bahia e as construtoras
compartilharão os empreendimentos durante os 35 anos de concessão,
dividindo meio a meio o retorno financeiro. O consórcio tem até um ano
para apresentar uma proposta de exploração do entorno.
(Portal Copa 2014 | www.copa2014.org.br 01.02.2010)
(Notícia na Íntegra)
