Ainda que necessitem agilizar o processo de busca por matérias-primas, asiáticos dificilmente compram controle de empresas
Os chineses são comerciantes natos. Compram e vendem desde o
início dos tempos. Entretanto, a atual fase — na qual precisam olhar
com maior intensidade oportunidades para além de suas fronteiras — é
relativamente recente. Certamente por isso, a preferência ainda seja de
entrar como minoritário em sociedades. Os chineses colocam o dedo na
água para sentir a temperatura antes de adquirir uma empresa
estrangeira. “Em geral, iniciam seus investimentos em sistema de joint
venture, preferindo manter o controle da companhia com os sócios locais
enquanto observam a operação de perto”, diz Celso Costa, sócio do Machado, Meyer.
Parte desse comportamento pode ser atribuído a uma forma
particular de fazer negócios. Ela tem estreitas relações com a maneira
como os chineses analisam o tempo. “Para eles, o eixo temporal tem um
significado bem diferente daquele que as culturas ocidentais têm. O
chinês sempre foi um comerciante ativo e usa isso como forma de dizer
em que intensidade confia em seus parceiros. Essa confiança é um
processo bastante lento”, afirma Fernando Lohmann, sócio da Fesa, que
atuou como cônsul-geral de Cingapura (cuja maioria étnica é composta
por chineses) no Brasil entre 1994 e 2004.
A aversão a riscos dos asiáticos de forma geral é outra
característica que ajuda a explicar a entrada gradual desses
investidores no capital das empresas brasileiras, acredita o sócio de
finanças corporativas da Pricewaterhouse Coopers, Alexandre Pierantoni.
“A região tem um histórico associado a perdas e guerras, o que torna os
movimentos mais graduais.”
Especialistas avaliam ainda que os chineses só não intensificaram
o movimento de aquisições de controle de empresas brasileiras no
mercado pela indefinição que seu governo – maior indutor das compras –
tem em seu modelo de atuação no mercado estrangeiro. “Essa falta de
definição ao olhar para fora de seu território já se traduz em um
dilema: preciso comprar grandes quantidades e ainda assim terei de ser
minoritário?”, diz o sócio da G5, Carlos Gros.
Embora ainda rara, a compra de controle de empresas por asiáticos no Brasil deve se tornar cada vezmais comum.
No final do mês passado, por exemplo, chineses compraram 100% da mineradora Itaminas, por US$ 1,2 bilhão.
Maturação
O fato é que, para os intermediários de operações de fusão, ainda
há muito o que aprender para atender bem aos novos clientes. “Toda a
nossa educação escolar é voltada para o Ocidente, o que mostra o
tamanho do desafio”. Nosso segmento é bastante fragmentado, o que faz
com que, com o aumento do apetite de asiáticos, sobre trabalho para
pequenos e grandes intermediários”, comemora Maurício Schutt, sócio da
VGL, boutique de serviços financeiros que reúne profissionais com
passagens por grandes bancos e empresas de auditoria. L.F.
(Brasil Econômico 13.04.2010/Pg.7)
(Notícia na Íntegra)
