Daniella Dolme
 
O prestígio no mercado é o primeiro aspecto levado em conta pelas empresas na hora de contratar um escritório de advocacia. Essa é uma das conclusões do novo anuário Análise Advocacia, que publica a lista dos escritórios e advogados mais admirados do direito.
 
Segundo a edição 2009 da pesquisa, 88% dos departamentos jurídicos das grandes companhias do Brasil priorizam escritórios de advocacia que tenham boa reputação na hora de contratar seus serviços. Este ano, um novo critério foi adicionado ao método de votação para que os escritórios entrassem no ranking: as sociedades deveriam estar entre as 500 mais votadas.
 
Para se ter uma dimensão da concorrência, vale ressaltar que, apenas em São Paulo, são 10 mil sociedades de advogados e, segundo dados da OAB, são cerca de 600 mil profissionais em atividade. Dessa forma, os empresários são convidados a preencher o questionário enviado pelos pesquisadores da Análise Editorial para que sejam escolhidos os melhores do ano.
 
No ranking de 2009, figura em primeiro lugar o tradicional escritório Pinheiro Neto, que desde 1942 consolida sua imagem atuando em três principais áreas: empresarial, contenciosa e tributária, subdivididas em grupos de especialistas. Contando com uma equipe de 342 advogados, destaca-se como a quarta maior empresa do ramo e foi reconhecido como o melhor escritório latino-americano do ano pela publicação “Chambers & Partners”.
 
Ao analisar os motivos que levaram o escritório a galgar o título de melhor do ano, o atual presidente do escritório Alexandre Bertoldi enfatiza que o tradicionalismo conta muito. “O fundador Pinheiro Neto trouxe o modelo de escritório anglo-saxão para o Brasil depois de um período como correspondente de guerra para a BBC e esse modelo de sociedade tem como filosofia investir no aperfeiçoamento das pessoas, do escritório, cultivando uma forte cultura em que o crescimento orgânico é essencial para formação de novos sócios”, observa.
 
De acordo com a pesquisa, o escritório que teve o maior número de advogados citados também foi o Pinheiro Neto, com 28 nomes, principalmente das áreas de direito tributário, cível e ambiental. Entretanto, para Bertoldi as áreas que merecem destaque e que tiveram aumento no número de causas são: arbitragem, recuperação de empresas (antigos processos de falência e concordata) e crimes de colarinho branco.
 
O presidente retoma ainda a satisfação de receber esse tipo de reconhecimento e afirma que “isso reconfirma que estamos no caminho certo, dá ânimo para continuar”. E finaliza: “a melhor maneira de se manter em destaque é se aprimorar”, deixando clara a intenção de se manter no posto no próximo ano, à custa de muito trabalho árduo.
 
Um dos diferenciais da empresa é a participação em projetos pro bono e atividades filantrópicas, como o Projeto Pomar, ao longo da Marginal; a reconstrução do teatro Cultura Artística de São Paulo; adoção de escolas públicas no Rio, em São Paulo e na Paraíba. Mais do que ajuda financeira, os sócios do escritório procuram incentivar o trabalho voluntário para os demais membros da sociedade participarem dos projetos.
 
“Destaco também a “Comissão de Mulheres”, na qual três sócias procuram melhorar as condições de trabalho das integrantes do escritório”, lembra Bertoldi, indicando que há um movimento que pretende cuidar da dispersão do sexo feminino ao longo dos anos na carreira de advocacia, provocada por fatores externos como casamento, filhos e outros compromissos que não permitem uma continuidade.
 
Mesmo com tanto sucesso, Bertoldi diz que o escritório não tem planos de abrir novas unidades. “Temos sócios no Rio de Janeiro e em Brasília, mas pela natureza do nosso trabalho, não é possível abrir outras filiais. Somos um escritório brasileiro, independente e priorizamos manter questões de alta complexidade no currículo”, o que, segundo ele, não seria plausível manter sob controle com muitas unidades espalhadas pelo país.
 
Quase lá
 
Em segundo lugar, a empresa Machado, Meyer, Sendacz e Opice, há menos tempo no mercado, desde 1972, apresenta um escritório bem sucedido, que conta hoje com 301 profissionais. Mas, diferente dos outros dois vencedores aqui citados, apesar de atuar em todas as áreas, o escritório não foi lembrado durante a pesquisa nos âmbitos do direito penal e de propriedade intelectual.
 
Ainda assim, teve 16 profissionais da equipe citados, a maioria na área de contratos comerciais, operações financeiras e direito societário. Na opinião do sócio Carlos José Santos da Silva, o reconhecimento é importante e válido, principalmente quando parte de um veículo “pioneiro na avaliação do segmento e que goza de credibilidade, tornando o mérito valioso”.
 
“Para o escritório, despontar no topo da lista é, portanto, motivo de orgulho, já que o resultado reflete um trabalho consistente e de qualidade, que certamente seguirá como a tônica de nossa atuação”, complementa.
 
Medalha de bronze
 
 
Para finalizar o top 3 do ranking, o escritório Demarest & Almeida, com seis anos a menos de tradição que o Pinheiro Neto, já que foi fundado em 1948, conquistou o prêmio de terceiro colocado. Advogando full service, o escritório foi citado em todas as categorias e teve onze profissionais indicados, nas áreas trabalhista, ambiental e de contratos comerciais.
 
Para o sócio Mario Nogueira, ainda que o escritório tenha tido uma baixa de 140 advogados, os 288 que compõem a equipe mantêm o serviço em alto nível. Estar entre os melhores escritórios do país, segundo ele, “é uma satisfação. É um reconhecimento que parte dos outros, dos clientes”.
 
Com a intenção de continuar entre os três melhores escritórios no ano que vem e crescer ainda mais, o escritório tem planos: “Além de reforçar essas áreas específicas [em que eles já se destacam], pretendemos crescer principalmente na área empresarial, mas sem abandonar as demais”.
 
Mais do que a qualidade da reputação do escritório no mercado, do bom atendimento e do nível de especialização dos profissionais que fazem parte da equipe, os diferenciais sempre contam pontos extras na visão dos clientes.
 
No caso da Demarest & Almeida, Nogueira destaca a atuação dos advogados do direito ambiental, que ocorre em parceria com técnicos da área, “assim, a atuação conjunta visa a melhor negociação com as autoridades, de forma que os problemas técnicos apresentados nos processos sejam remediados, assim como a aplicação de medidas preventivas”.
 
(Última Instância 27.11.2009)
 
(Notícia na Íntegra)