Integrantes do consórcio Belo Monte, derrotado no leilão de hoje, receberam o resultado com certa resignação. A avaliação de executivos das empresas associadas no grupo liderado pela Andrade Gutierrez era que tinham buscado todas as soluções para a viabilidade do projeto. De acordo com o advogado Ricardo Assaf, do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, que assessorou uma empresa do consórcio, o lance com deságio de 6% logo de saída, dá a entender que os adversários esperavam uma postura mais agressiva do Belo Monte.
Eles partiram de uma premissa mais agressiva em relação ao nosso consórcio - disse Assaf, que afirmou desconhecer o limite de deságio considerado pelo consórcio Belo Monte.
A derrota surpreendeu o mercado de energia. Belo Monte era dado como grande favorito na disputa, por estar desde o início do processo. Além disso, após a saída da Camargo Corrêa e da Odebrecht da disputa, o consórcio estava concorrendo com empresas consideradas inexperientes para levar adiante um projeto tão complexo quanto o da usina do Rio Xingu.
Além da construtora, integravam Belo Monte a Vale, o grupo Votorantim e a Neoenergia.
O consórcio chegou ao leilão de ontem ainda mais cotado, depois que rumores davam conta de que teria acertado com Camargo Corrêa e Odebrecht a equalização dos preços de construção da obra.
Ao fim do pregão, indagado por um empresário presente na sede da Agência Nacional de Energia (Aneel), um alto executivo da Votorantim restringiu-se a dizer que a derrota "fazia parte da regra do jogo". Procuradas, nenhuma das empresas do consórcio derrotado quis se pronunciar.
Texto de Ronaldo D′Ercole
(O Globo 20.04.2010)
(Notícia na íntegra)
