Embora o mercado tenha considerado alto o preço pago pela Cemig na compra de ativos da Terna Participações, o negócio foi estratégico para a Cemig e atendeu aos interesses tanto da estatal mineira em ratificar sua posição de consolidadora do setor elétrico brasileiro como da italiana Terna Rete Elettrica Nazionale S.p.A. em concentrar seus investimentos na Itália, na avaliação do advogado que representou a Cemig no negócio, Ricardo de Lima Assaf, do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados.
"A Cemig tem uma estratégia clara de expansão em geração, transmissão e distribuição. Já os investimentos da Terna chegaram ao limite no Brasil e a empresa é responsável por toda a transmissão na Itália. Foi uma operação que atendeu aos interesses de ambas as empresas", afirmou o advogado.
A equipe do escritório, em conjunto com o Pinheiro Guimarães Advogados, assessorou a Cemig nessa operação, prestando os serviços de auditoria e elaboração do contrato de compra e venda. Segundo Assaf, o processo foi concluído rapidamente entre as empresas. "As negociações tiveram início em março", disse o advogado, que não soube precisar se outras companhias disputavam o ativo. "Não foi aberto um processo de leilão", acrescentou. O anúncio da operação ocorreu na última quinta-feira à noite, dia 23. Para comprar 65,86% da transmissora Terna Participações e assumir o controle da empresa, à estatal mineira irá desembolsar R$ 2,33 bilhões.
O valor da operação, que irá chegar a R$ 5 bilhões com recompra das ações dos minoritários e a incorporação de dívidas, foi questionado pelo mercado. Tanto que os papéis preferenciais da estatal mineira fecharam na última sexta-feira em queda de 3,4%, negociadas a R$ 32,91. Apesar disso, o advogado lembrou que o risco do investimento em transmissão é muito baixo, o que implica em uma rentabilidade menor. "O risco do negócio é baixo e as linhas da Terna não possuem registro de problemas. Com a aquisição, a Cemig se torna a terceira maior transmissora do País e garante uma maior previsibilidade em seus resultados", disse.
O advogado lembrou que, com a compra da Terna, a Cemig ampliará a rede de transmissão de 5,313 mil quilômetros (km) para 8,643 mil km. A participação da estatal no setor passará de 5,4% para 12,6%. Com base em valores de 2008, a atividade representará 17,6% do Ebitda da Cemig, ante os 6,6% atuais. "Apesar da avaliação do mercado de que os múltiplos foram altos, avaliamos que é um negócio que agrega valor no longo prazo", disse, lembrando que o portfólio de investimentos da Cemig ficará mais equilibrado após essa operação.
(Agência Estado 27.04.2009)
(Notícia na Íntegra)
